O Agronegócio leva o país nas costas? As oportunidades de financiamento no mercado privado e a boa e (nem tão) velha CPR.

Por Frederico Pedroso, advogado.

No último ano, o agronegócio saltou para impressionantes 29,4% de representatividade no PIB nacional – o maior patamar dos últimos 22 anos (CEPEA, Esalq/USP, 2025). Quase um terço de toda a riqueza gerada no país vem do campo, seja das grandes lavouras de soja, arroz e milho, seja das cadeias integradas de proteínas animais ou da força industrial e logística que cerca o ecossistema do agro brasileiro.

Entretanto, nem mesmo nossos campos férteis, “onde tudo que se planta cresce”, escapam dos desafios do financiamento. Nos últimos ciclos, os recursos subsidiados do governo, sujeitos a limites e instabilidades, causam incertezas à realidade do produtor. Face a isso, este se vê compelido a buscar alternativas no setor privado para seguir plantando, colhendo e, quiçá, exportando.

Neste contexto, o financiamento privado do agronegócio vem se modernizando e ganhando relevância. E nenhuma ferramenta sintetiza essa modernização como a CPR – a tradicional Cédula de Produto Rural, reinventada recentemente a partir de duas grandes atualizações da Lei 8.929, de 22 de agosto de 1994.

A modernização normativa da CPR veio para garantir transparência ao pujante mercado do financiamento privado do agro. A obrigatoriedade de registro das CPRs em entidade autorizada pelo Banco Central do Brasil, por exemplo, foi pensada para assegurar transparência tanto para os agentes financiadores, quanto para os produtores. Atualmente, para que tenha validade, toda e qualquer CPR precisa passar por esse registro.

Agora, é possível verificar, com tranquilidade, quanto de sua produção o produtor já comprometeu com vendas futuras do produto por meio da emissão de CPR. Nesse sentido, entidades como a B3 oferecem um serviço de excelência. Além disso, as alterações legislativas permitiram a adaptação do título de crédito à nova era da digitalização da economia. Ainda, foi instituída a CPR Verde e a Cédula de Produto Rural de Limite de Crédito em Garantia, uma antiga demanda das cooperativas.

Enfim, as alterações estão ampliando as oportunidades e facilitando o acesso ao financiamento para pequenos, médios e grandes produtores, impulsionando não só a produção, mas também a inovação e a sustentabilidade no campo.

Apesar dos grandes desafios que surgem no horizonte, especialmente relacionados a possíveis cenários de inadimplência, o futuro do campo depende do contínuo aprimoramento dos títulos de crédito privados e de um ambiente seguro para os investimentos. Estamos no caminho certo.

Afinal, existem muitos interessados no financiamento de “quem leva o Brasil nas costas”. E nem poderia ser diferente.